sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Absurdo

Ontem, saiu essa matéria:
Daí a pessoa fica chocada, volta pra casa e frita um bife. Hipocrisia, oi?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Texto velho no blog novo

No meu ouvido ela diz que ainda é noite clara aqui, e o sol queima minha cabeça. Vou andando, depois de já ter esperado pelo elevador tempo suficiente para escrever uma canção. Vou ao meio da avenida, dói o sinal. Pessoas me levam. Eu deixo me levar. Hoje eu já não me preocupo. Hoje o dia já começou estranho. Pra terminar pior? Chego lá. Uma aula. Outra aula? Eles não vêm. Nenhum dele vem. Estou presa, cumpro horário, fico aqui. Escorrego pelos minutos. Me arrasto. Vou tentando chegar ao final. Cheguei. Saio e agora ela me diz que razão ela não vende por nada. “Ta certo”, eu penso. Aquela voz linda entrando em meus ouvidos. E vou caminhando. Tchau pro cônsul, ele fica mais quatro e está matando um cigarro ali na porta. Caminhada. Agora mais vazia. Só eu, ela no meu ouvido e ninguém. Me levanto. Vou sozinha. Subo os degraus sozinha, eu consigo. A vontade é de voltar pra ontem. Mudar. Fazer diferente ao final da noite. Dormir? Também não. Ainda faltam três horas. Tenho que escrever à mão o que de máquina não aceitaram. Minhas mãos vão, a cabeça não. E ela já não me diz mais nada depois do cigarro, do câmbio e da tempestade. Me faz falta a voz dela. Me faz falta vê-la junto com os outros. E lá estou eu. Agora só falta uma hora pra sair de novo. Eu não quero sair. Não quero mais sair. Mas saio. Estou indo de novo. Pra outro lugar agora. Vou com ele me dizendo que ela o chama ao canto as três da manhã. Será mesmo que é importante? De qualquer maneira, a música atrapalha o que ele quer ouvir, mas pra mim funciona. Eu já preciso. Preciso deles. De novo, preciso vê-los. É isso que falta. É isso que me faz me arrastar. A falta. O cold-turkey de vê-los ao vivo. A abstinência. Basta um oi pra amenizar. Basta uma música. Basta ouvir aquela voz dela. Ao vivo. Eles. Nós. Lá. Quando?Logo? Espero. E eu, agora, aqui. De novo. Sem ninguém, de novo. As pessoas fogem. I don’t want to speak English, eles não dizem. Mas eu estava lá pra ensinar. Enfim, chega alguém. O último do meu dia, pra voltar amanhã cedo de novo, excepcionalmente. Não é meu dia, mas tudo bem. Muitas pessoas. Me levando. E eu, de novo, me deixando levar. Com ela no meu ouvido falando música em gotas para eu relaxar. Relaxar e esquecer. De tudo. Até chegar aqui. E começar tudo de novo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

De Fato

Olho pra trás com a certeza de que o que está por vir é mais promissor. Abraço uma causa, traduzo um livro e planto uma árvore. Compro um cachorro pra substituir o filho. A vida funciona, mas hoje não há pensamentos negativos. Não há o choro entalado e a vontade contínua de sumir. Voltar pra primeira cidade, viajar pra uma terceira já não parece mais a solução. Sumir? Só faz a mágoa ficar guardada. Encarar? O melhor que se tem a fazer. Resolver? Sempre muito bom. E quando aquele nó na garganta é retirado, quando as palavras esperadas há tempos são ouvidas, tudo melhora. Não volta como era antes, mas não vem ao caso. Pode voltar, pode não voltar, mas o que importa é o pacifismo, o esclarecimento, a conversa tida até nãoseiquehorasdamanhã. Não somos estranhos, ainda queremos saber se está tudo bem e, finalmente, está. Não está igual, mas o diferente vem como uma coisa boa. Uma chance de um recomeço. "Muiito prazer, sou uma nova pessoa, melhor, mais consciente, mais segura e, definitivamente, mais madura".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Eu poderia estar escrevendo cartas de amor intermináveis e estar te entregando. Poderia estar indo até a sua casa, tocando sua campaínha incansavelmente sem resposta. Poderia estar te ligando inúmeras vezes sem ao menos ouvir alô, ou ouvindo e, logo depois, ouvinto o som do botão "end" sendo pressionado. Eu poderia estar te perseguindo no trabalho e na faculade, e nos locais que eu sei que você costuma frequentar. Poderia estar te deixando cansado de tanto ter que se esquivar de mim.
Mas não.
Ao invés disso, escrevo para mim, desenho para mim, pinto para mim, faço serenatas em meu quarto que deveriam estar em sua janela. Décimo primeiro andar, inacessível. Estou revelando fotos, montando textos, copiando músicas que têm a ver. Vendo vídeos, filmes, seriados que fazem lembrar-me de ti. Quais? Quase todos. Só o que é novo não está relacionado a você. Ou não, já que há muitas referências de nossas vidas até em coisas que não vivenciamos juntos.
Eu olho pro lado, vejo uma placa qualquer. Nesta placa certamente haverá alguma minúcia que me fará pensar em ti. Me fará entristecer e querer-te de volta. Mas eu sei que eu não mereço você de volta, pelo menos não agora. Embora seja tudo o que eu quero lutar por. Sei que eu tenho que aceitar, mas será a coisa mais difícil que eu já fiz na vida.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

não existem lacunas. o que viveu, tá vivido. pode arrancar o material, rasgar o que se pode pegar, mas não o que tem dentro. dá pra esquecer, mas só com o tempo. só se foi ruim. só se foi ruim do começo ao fim. ou foi e eu não fiquei sabendo?


a pergunta que eu faço e refaço: cadê o bom?
e, só eu que fiz merda aqui?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Martyr for my Love for You

Ah! Se as palavras bastassem, se as palavras explicassem e exprimissem tudo! Seria tão mais fácil. Mas tem coisas que a gente tenta, tenta... Verbalizar, escrever, escorrer junto às lagrimas... Mas não é o suficiente.
Dentro de tantos acertos, um erro. Nesse erro, o fim. Nesse fim, um novo começo? Não pra mim. Estava disposta a me dedicar, estava me dedicando. Estava me esquecendo. Já tinha me esquecido. Não queria o fim. Não quero o fim. Mas mereci o fim, mereço o fim. Não pra um novo começo, mas pra aprender. Errei uma vez e aprendi, mas não foi o suficiente.
Ás vezes as palavras não explicam, às vezes elas não devem nem ser ditas. Devem ser trancafiadas no pensamento pra que ele se encarregue de se esvairir. E já tinha acontecido. Eu era toda pr'aquele sentimento de outrora. Aquele do começo, do frio na barriga. Eu estava alí, mas... estava sozinha? Porque bastou uma falhinha, uma série de palavras não ditas com o intúito de elas se apagarem, e aconteceu exatamente o contrário.
O ilícito foi feito. A privacidade alterada. A infantilidade não assumida. A maturidade perdida. Foi rápido e ridículo, você não entende? Serviu pra reafirmar aquele começo. Aquele, do frio na barriga. Borboletas no estômago. Lembra? Então, eu estava ali, naquela fase. Dos banhos demorados, da luz apagada, das confidências trocadas na sonolência. Eu estava ali de novo e era tão puro! Era tão lindo, tudo havia sido superado, eu achava.
Comentários mal ditos séculos atrás. Pra que atrapalhar o presente? O passado só é válido lembrar quando é bom. E o nosso é. Mais que bom. Pra quê apertar o REC no erro, o stop, e depois o repeat? É apontar o dedo, o jogar na cara. É cansativo.
E, será que foi um erro? Será que foi um erro, se não havia compromisso? Será que, no vice versa, não seria igual? Será que contaria? Será que querer preservar o outro é tão ruim assim? Será que esquecer e já ter esquecido não conta?
E assim eu fico, com muita coisa pra falar, sem ninguém pra ouvir. E assim eu me arrependo, e assim eu choro. E assim eu quero consertar as coisas sem ter a menor idéia de como fazer. Porque afinal, somos todos seres humanos. Ou será que é perfeito? Deve ser, se consegue fazer essa coisa de deixar de amar do nada. O fato é que, no roteiro funciona. Na vida real, nunca.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

22+1

Está chegando aquele dia. O meu, 18 desse mês. Pois é, José. Aquele dia que todas as pessoas adoram. Elas celebram felizes, contentes, chamam os amigos para fazer algo especial e etecétera e, não sei porquê, me dá faniquito só de lembrar.
Desde que eu me entendo por gente tenho imagens em minha mente nas quais eu me encontrava aos prantos naquela hora fatídica da festa de aniversário: o "parabéns". E, as imagens que não estão em minha mente, estão devidamente guardadas em fitas de vídeo no mínimo humilhantes. Do meu primeiro ao quarto ano de vida, as fitas mostram eu me esguelando horrendamente na hora em que todos se reuníam em torno da mesa toda enfeitada (cada ano com um tema diferente, e eu com um vestido combinando) e olhavam pra mim. E olhavam pra mesa, combinando comigo. E eu chorava loucamente. Do começo ao fim daquelas palmas irritantes e de pessoas desafinando ao cantar aquela musiquinha idiota.
Ok, enquanto criança eu não faço a menor idéia do porquê do meu chilique aniversariante. Não tenho a menor noção de psicologia pra dar uma explicação lógica, mas imagino que eu me incomodava com a atenção voltada toda à mim (o que até hoje, confesso, me deixa um pouco encabulada, até mais do que incomodada).
Agora hoje eu tenho certeza absoluta que eu odeio aniversários (os meus, claro). Primeiro porque não faz o menor sentido você ser a aniversariante e você mesmo ter que providenciar uma festa. Poxa, o aniversário é meu, façam uma festa para mim! Quando se é criança, pelo menos, rola o lance de presentear, e você fica cheio de brinquedos novos. Muito promissor. Agora, depois de velha, só ganho presente da família (e olhe lá) e de quem é mais chegado, tipo namorado, melhor amigo e essas coisas.
As festas também mudam conforme os anos passam. Agora o esquema é ir em qualquer lugar comemorar. Cada um paga a sua conta (confesso que dessa parte eu gosto, não preciso me preocupar com os docinhos e comidinhas e essas coisas diminutivinhas) e fica tudo muito imparcial. O que faz do seu aniversário SEU aniversário é só o fato de chegarem na sua frente e te darem "os mais sinceros" parabéns.
Aliás, que sinceros! Não, porque a coisa mais falsa do universo são os votos de feliz aniversário. Até os de feliz natal (que diga-se de passagem eu também não gosto) são mais consideráveis. Não estou generalizando, mas pessoas que você nunca dá nem oi e mal olha na cara (e vice versa) vêm até você com um sorriso estampado na face pra te cumprimentar. "Oi? Você troca quantas palavras por ano comigo mesmo?"
Todo mundo te adora no seu aniversário, te deseja o melhor, e no dia seguinte a sua "melhor amiga de aniversário" já se junta com outra pessoa pra falar o quão idiota você é.
Outra coisa que me incomoda muito é o fato de eu nunca saber o que dizer de volta. Não é só com parabéns de aniversário, mas qualquer elogio ou comentário genérico. Mas, vamos restringir para o caso aniversariante. As pessoas chegam e te falam "Parabéns!", e você, "Obrigada", e a pessoa, não satisfeita, continua, "Muitas felicidades, muitos anos de vida, saúde, paz, harmonia e o escambal, porque você merece!" (ODEIO esse lance de "você merece"). Aí você, educadamente, repete "Obrigada!". Daí a pessoa fica olhando pra sua cara, você fica olhando pra cara da pessoa, e aquele silêncio constrangedor paira no ar. E você tenta, educadamente, sair daquela situação crítica.
Bom, apesar de tudo e de todos, nesse ano irei comemorar meu aniversário com show do Ludov, portanto o que poderia ser uma merda pode vir a ser bem divertido, inclusive.
Então, parabéns para mim.